quarta-feira, 26 de outubro de 2016



Crónica da Fraga





CASTANHEIRA DE PERA NÃO TEVE FORAL NEM
ESTÁ NA DOAÇÃO DA «HERDADE DE PEDRÓGÃO» DE 1135





Na pesquisa «Google» sobre Castanheira de Pera encontram-se alguns sítios, um deles de referência, contendo esta informação:  

«As origens da vila remontam a 1135 e em 1206 D. Pedro Afonso, filho bastardo de D. Afonso Henriques, concedeu-lhe o foral, que foi renovado por D. Sancho I em 1217».   

Com o devido respeito, trata-se de uma informação manifestamente deslocada.Da apropriação duma factualidade histórica pertencente à vizinha vila de Pedrógão Grande, que não à vila de Castanheira de Pera.
Para situar o caso, recuperemos breves ideias dos primórdios da nacionalidade. 

Romanos. Seis séculos. Deles herdámos, além do mais, a língua (latim), as leis (direito romano), o cristianismo e uma classe social erudita e culta O CLERO.

Visigodos. Germânicos. Romanizados. Três séculos. Deles herdámos a NOBREZA. Classe militar. E proprietária das terras, mas que não as trabalha. São os servos que o fazem para si. Tem-se por seus «senhores». 

Mouros. Chegam em 711 via Gibraltar. Islâmicos. Vencem a nobreza, que deserta toda. Os servos continuam a trabalhar a terra, mas agora como donos do produto do seu trabalho. E para tratar de assuntos comuns (vizinhos) reúnem-se em assembleia (conventus publicus vicinorum). E assim emerge o POVO como classe social.

Visigodos outra vez.
A partir de 722 seguem-se séculos ditos de «reconquista cristã». Que, a final de contas foi a reacção dos Visigodos e seus descendentes, entretanto, reorganizados nas Astúrias (Pelágio), reforçados com outros visigodos e godos vindos da Europa, entre eles os nossos “conhecidos” D. Henrique e D. Raimundo, a que se vão juntando ainda as ordens ditas militares, religiosas e cruzados.
Começam por fustigar e afastar os Mouros das Astúrias.
Segue-se a Galiza, Leão, Douro…
A luta agora era sem quartel. Castelos e vilas incendiados. Devastações. Fio de espada. Já em território português a peleja durou cinco séculos, com avanços e recuos mútuos. Linha do Douro, Linha do Mondego, Linha do Tejo, Algarve, (1249).
Sendo que, à medida que os visigodos avançam: «Todas as terras ermas ou tomadas aos Muçulmanos por conquista eram consideradas sem dono (res nullius) e portanto susceptíveis de ocupação ou presúria».
Mas é claro ocupação e presúria por Visigodos. Elite militar em que todos se têm por nobres: reis, príncipes, condes, fidalgos, infanções.
Classe que quer reaver as terras, com tudo o que está lá dentro. Reparti-las entre si. Acabar com o «estatuto dos vizinhos». E remeter os libertinos (descendentes dos antigos servos) à primitiva servidão. Em suma restabelecer a NOBREZA.
Coimbra é tomada a retomada sucessivamente: 713 (Mouros), 868 (Visigodos), 987 (Mouros) e 1064 Visigodos em definitivo.
D. Sisnando, Conde D. Henrique, D. Tereza, D. Afonso Henriques…
E assim se chega a um período de tempo entre 1128 e 1138, com a fronteira militar relativamente estabilizada na linha do Mondego, em que D. Afonso Henriques, ainda príncipe, «recompensa os seus mais dilectos cavaleiros, fazendo doações de casais e herdades…».
E é neste contexto que em 1135 surge a doação da «herdade de Pedrógão» aos nobres Uzberto, Mónio Martins e Fernando Martins. 

Herdade de Pedrógão.
Sobre tal doação existem trabalhos de conceituados autores publicados, além do mais, nestes sítios: 
a) «Monografia do concelho de Castanheira de Pera» (Livro);
b) «Mosteiros Cistercienses. Separata». (Infra site 1); 
c) «Revista Portuguesa Arqueologia» (Infra site 2).
Nesse tempo (1135) ainda se falava e escrevia latim. (Só em 1296 (D. Dinis) é que «a chancelaria régia adopta a língua vulgar»).
No texto latino a «herdade de Pedrógão» está assim delimitada:

 «Habet enim terminos per montem qui vocatur Signum Salomon et inde per cimalias de Alvares ac deinde per cimalias de Sonieir et inde per cimalias Ameoso ac deinceps per cimalias de Squalos et inde per cimalias de Salzeda et per cimalias de Nadavi ac deinde ad monasterium de Algia quomodo concludit Algia cum Unzezar et inde unde primus incoavit».

Isto é: «Tem os seguintes limites: pelo monte que hoje chamam Signo Saimão, e pela cumeada de Alvares, e pelas de Sonieir, de Amioso, de Escalos, de Salzedas e de Ana de Avis; daí vai ao mosteiro de Alge, desce pela ribeira do mesmo nome até à confluência com o rio Zêzere e vai por este até ao ponto onde começou».
Sendo que: «Amioso, Escalos, Salzedas (ou Sarzedas) e Ana de Avis são topónimos que se mantêm». (Infra site 2).
Conhecida assim a delimitação da herdade no papel, vejamos agora como ela ficaria no terreno (1135), depois do trabalho do engenheiro agrimensor. Em execução do declarado no documento, o agrimensor fixaria uma ponta da sua cadeia no rio Zêzere, próximo de Pedrógão Pequeno e, partindo daí, desenrolaria e fixaria o cabo, sucessivamente, na cumeada de Alvares, na cumeada de Sonieir, na cumeada de Amioso, na cumeada de Escalos, na cumeada de Sarzedas, na cumeada de Aldeia de Ana de Avis, no mosteiro da ribeira de Alge, na foz da ribeira de Alge no rio Zêzere e, por fim, Zêzere acima, até ao ponto onde começou (Pedrógão Pequeno).
Com assim ficando definido, nos seus contornos, todo o perímetro da propriedade rústica denominada «herdade de Pedrógão».
Donde uma importante conclusão a extrair ser esta: nenhuma parcela da área do actual concelho de Castanheira de Pera está contida no perímetro da «herdade de Pedrógão». As terras da Ribeira de Pera ficaram de fora da doação. Apenas são confinantes. E certamente não foi por acaso, nem por falta de topónimos antigos (Trevim, Altar do Trevim, Selada de Pera, Ribeira de Pera). O caso afigura-se outro. É que estando em causa a defesa da linha do Zêzere - que com o Castelo de Leiria (1135) formaria uma linha avançada da defesa de Coimbra - não interessaria tanto povoar as terras da Ribeira de Pera. Pelo contrário, importaria até deslocar, daqui para lá, alguns casais que porventura por aqui houvesse.

A questão do Mosteiro.
Como se vê do texto latino, a «herdade de Pedrógão» confinava com um monasterium, cuja localização no terreno ainda hoje se discute. 
Mas consta que este tipo de mosteiros foi coisa trivial no séc. XII. Com o seu auge entre 1130 e 1150 – com as tomadas de Santarém e Lisboa (1147) de permeio. Construídos em locais isolados, no abrigo das montanhas ou no recosto dos montes. No meio de vegetação bravia. Nas franjas de lugares em vias de povoamento. Junto dum curso de água. Perto de estradas ou caminhos, permitindo as comunicações. Muitos consistiam em pequenas ermidas, com «mui poucos monges ou talvez um só». Houve mosteiros fundados e coutados por D. Afonso Henriques. Outros criados por nobres. A «reconquista cristã» foi um movimento militar e religioso, articulado e cooperante. «Nos locais mais sujeitos aos ataques inimigos até os frades não são dispensados de servir militarmente». (Cf. Grande Enciclopédia PB, vol. 17/968).
Sendo assim é de crer que o mosteiro do «Algia» se tratava duma pequena ermida, situada algures entre Aldeia de Ana de Avis e a foz do Alge, num morro sobranceiro em que, para além do ascetismo (ou antes dele), se avistava a linha do Zêzere/Foz do Alge, de modo a detectar-se qualquer movimento suspeito.
Já o que parece não fazer sentido seria o agrimensor desenrolar o cabo a partir de Ana de Avis até à região de Campelo, («Terras da Ribeira de Alji»), porque nesse tempo (1135), em que ainda se falava e escrevia latim, «Algia» significava «Ribeira Fria» (do verbo latino «algeo», ter frio), sendo nesse sentido que a ribeira era tida e conhecida. (Infra sites 3 e 4). Depois porque não seria certamente daí que se vigiava o Zêzere/Foz do Alge. E Campelo passou a foro de Miranda no ano seguinte (1136).

Foral de Alpreada.
Não muito longe daqui, passa-se algo semelhante com outro mosteiro que também hoje (2016) não existe, nem aliás vestígios dele. Trata-se do monasterium referido no «Foral de Alpreada de 1202». Sendo que, de estudos recentes, resultam três pontos comuns com o mosteiro da herdade de Pedrógão: também está na delimitação; também na fronteira sul e, também perto da foz de uma ribeira - a ribeira de Lardosa no rio Ocresa. (Infra site 5).
O que indicia a mesma dupla função: ascetismo e atalaia (vigia).

Reversão da herdade.
Conceituados autores enfatuam a dimensão da herdade de Pedrógão dizendo que que ela «… ia da serra da Lousã ao Zêzere….». Bem, dito isto assim é muito vago, visto que a serra da Lousã compreende montanhas pelo menos de cinco concelhos: Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Miranda do Corvo, Lousã e Góis. O agrimensor ficaria perplexo se assim tivesse de trabalhar. Mas o ênfase já se entende no sentido de que era uma área muito grande para assegurar a sua defesa, face as terríveis invasões almóadas (1170-1184), com ocupação e destruição da vila de Figueiró dos Vinhos (1180). É que a doação da herdade aos fidalgos fora feita com encargos, «…pro seruicio quod michi fecistis et facietis », isto é, «pelo serviço que me fizestes e fareis». Nestas circunstâncias, é provável que os fidalgos tenham restituído a herdade à Coroa. Seja como for, D. Sancho I doou-a depois a D. Pedro Afonso que, por sua vez, dela conferiu forais a Arega (1201), Figueiró dos Vinhos (1204) e Pedrógão Grande (1206).
E por fim uma curiosidade (arriscada): o donatário Mónio Martins terá algo a ver com Mónio Martins, alcaide de Pinhel? E o donatário Fernando Martins terá algo a ver com Fernando Martins, Bispo do Porto (1176/1185)? 

                                                                            ***

Em síntese:
1.     A vila de Castanheira de Pera não teve origem em 1135.
2.     A «herdade de Pedrógão» não abrangia as terras da Ribeira de Pera.
3.     O Mosteiro do «Algia» teria também função de atalaia (vigia).
4.     E, já agora: em 1217 quem reinava era D. Afonso II, (1185-1223).
5.     Quanto ao «não foral» da Castanheira, num próximo número.                                                                                                                                                                                             

2.  Revista
4.  BNP
5.  Alpreada 


 Francisco H. Neves


                                                                                                 

(Texto publicado antes no  O RIBEIRA DE PERA  onde se encontram ativos os links)





quinta-feira, 28 de abril de 2016




Crónica da Fraga

OS RIBEIROS DA NOSSA RIBEIRA
Também muito deram de comer e beber 


Ribeira.
É comum enfatizar a Ribeira de Pera. E com razão. Desde logo porque está na raiz do topónimo concelhio: «Castanheira (da Ribeira) de Pera». Depois porque já no processo da criação da Paróquia de São Domingos (1502), todos os outorgantes, dos diversos lugares, estão identificados como moradores na «Ribeira de Pera», o que significa ser esta a grande referência deste vale. Também no seculo passado (XX) as suas águas tornaram-se a primeira força motriz de uma indústria de lanifícios que aqui se instalara. E actualmente porque, em pleno coração da ribeira, a Praia das Rocas, constitui um empreendimento turístico de grande renome, atracção de milhares de pessoas.  

Fixação.
Mas, pese embora a dimensão da ribeira, complementarmente dir-se-á que também os ribeiros (seus afluentes e subafluentes) tiveram uma primordial influência na economia da região e na vida das populações. Desde logo ao nível do remoto povoamento. Repare-se como os lugares do Casal, Gestosa Cimeira, Gestosa Fundeira, Banda d’Além se fixaram ao longo do seu ribeiro (ribeiro da Gestosa). E como as suas terras de cultura se dispõem ao longo das suas margens. Como igualmente foi ao longo do seu ribeiro (ribeiro do Carregal) que se fixaram os povos do Carregal Cimeiro, Porto Carro, Carregal Fundeiro. Também as primeiras casas do Fontão se inseriram junto de uma forte nascente de água, ainda hoje ali corrente, integrando o ribeiro do Fontão. Do mesmo modo, das águas vindas do Cabril e das Juntas, se fixou o Amial ao longo do seu (ribeiro do Amial), em cujas margens se situa fértil solo arável. E, assim sucessivamente, outras povoações, nascentes e ribeiros.

Regadio.
A água potável sempre foi um elemento essencial à vida das pessoas e daí a sua constante procura pelos homens (nascentes, minas, poços, furos). Consumo doméstico, dar de beber aos animais, regadio, culturas do pão. Houve servidões de ir buscar água, de levar o gado a beber, de lavar e corar roupa, de presa, de aqueduto entre outras. O regadio teve repartida expressão entre nós. De nascentes, ribeiros e ribeira regava-se no Verão de dia e de noite. A pé e de sacho na mão. Courelas, nateiros, milheirais, “terras de pão”. Água de horas. Havia mapas de turnos de rega organizados dentre os proprietários vizinhos. Todos respeitavam. Embora aqui ou ali pudesse surgir alguma altercação… Excepcionalmente o caso chegava à Justiça. Todos cumpriam. 

Moinhos.
Feita a colheita do milho (apanhar, descamisar, malhar, erguer, secar), havia que torná-lo farinha para cozer o pão (broa). É então que outra energia se extrai dos ribeiros. A força da água para mover moinhos. Houve moinhos de água na ribeira. Mas também nos ribeiros. Pelo menos dois na Gestosa Cimeira e dois na Gestosa Fundeira. Um no Carregal Fundeiro e um no Dordio. Três no Fontão. Um no Amial (Juntas). Um no ribeiro Sapateiro. Outro no ribeiro das Botelhas. A propósito, recordamos ter visto na Ilha das Flores, junto à Igreja da Fajãzinha, um fio de água correndo para um pequeno telheiro, onde uma pequena mó rodava, rodava, moendo uns baguinhos de milho que iam caindo, caindo… Ninguém por perto. Era um pequeno moinho de água, um encanto! Isto para dizer que outros pequenos moinhos de água podem ter existido nos diversos lugares da freguesia de São Domingos, nas propriedades privadas, dos quais hoje ninguém se recorda, senão os seus sucessores. E, para rematar este parágrafo, uma outra referência hídrica: o ribeiro do Fontão fez mover o lagar de azeite do Dordio e as águas vindas das vertentes do Carregal Cimeiro fizeram trabalhar o lagar de azeite do Porto-Carro.

Custos.
Certamente que os da ribeira, com cerca de quinze pontes (do Cavalete aos Linhares), foram bem superiores. Mas é claro que os ribeiros também tiveram os seus custos. Basta anotar a quantidade de pontes, aquedutos, manilhas neles existentes por todo o lado. E se alguns ribeiros desaguam na ribeira de forma natural, já outros careceram de obras de adaptação. É o caso do ribeiro do Amial a que as «Rocas» implicaram uma adequada foz em «S». Enquanto o ribeiro do Conqueiro atravessa a vila quase sempre em túnel, desde a Eira Velha (Casa Côvado) até à ribeira, a jusante das «Rocas».

Museu.
Estes moinhos de água encontram-se hoje desactivados, senão mesmo em estado de ruinas. Deles não existe um inventário. Não há um único tornado peça de museu. Mas pelo menos ainda será possível restaurar a sua memória e das suas ruinas extrair algumas fotos. E haverá, porventura, casas em que ainda se guarde algum raro documento desses tempos dos turnos rega, da água em «correição». A disponibilidade e publicação deste material nas redes sociais, constituiria um «museu virtual» que, certamente, teria os seus interessados visitantes. Se a ideia germinar então este espaço valeu um tesouro!

Francisco H. Neves



Texto original em  O RIBEIRA DE PERA :




sábado, 22 de agosto de 2015




AS ESCOLAS PRIMÁRIAS DO NOSSO CONCELHO

 Monumentos da nossa memória 


Nostalgia.
O edifício da escola primária foi o nosso primeiro local de trabalho. Ali se cumpria o primeiro horário. Ali se conheciam os primeiros colegas do ofício. Ali se criaram amizades, mais ou menos duradouras. Quatro anos de calendário (entre os 7 e 11 de idade) era o tempo normal para se obter o exame da 4ª classe. Durante este tempo ali usufruímos do trabalho e dedicação dos nossos professores, salpicado aqui ou ali de atitude mais ríspida. Recordamos a sala de aula: o quadro preto na parede, a mesa do professor, o ponteiro, as carteiras dos alunos, os tinteiros, os mapas na parede. E também a menina-de-cinco-olhos, a amiguinha que, ora justa ora injustamente, frequentava uns mais que outros, mas que regra geral a todos visitava. Recordamos a saca de pano, onde fomos carregando a ardósia, o lápis de pedra, o caderno, a tabuada, os livrinhos de leitura das 1ª, 2ª, 3ª e 4ª classe, da aritmética, geometria, geografia, história, gramática. Livrinhos que se foram extraviando, mas cujas reimpressões ora nos permitem recuperar e guardar. Está tudo em memória.    
E claro que hoje (2015) existem outros manuais, outras filosofias, outros autores. Mas não é a mesma coisa. É que não foram estes, mas aqueles autores e professores de meados do século passado (anos cinquenta) que nos botaram ao mundo das letras e das ciências. Que nos deram asas para tomar novos rumos! Obrigados mestres! Bem-haja! 

Histórico.
Vindas da Monarquia, da 1ª República ou do «Plano dos Centenários», (Estado Novo), nas freguesias de Castanheira de Pera e Coentral funcionaram plenamente escolas primárias em:    
·       Coentral
·       Pera
·       Bolo
·       Castanheira
·       Gestosa
·       Troviscal
·       Moita
·       Sarzedas

Lugares com um ou dois edifícios. Escolas com uma ou mais salas de aula. Seria interessante existir um livrinho com a história de cada uma destas Escolas. Sua tipologia. Ano de construção. Ano de instalação. Custo da obra. Forma de pagamento. Legados. Outros elementos do processo. Fotos várias. Professores que, no todo ou em parte, nela leccionaram. Alunos que, no todo ou em parte, a frequentaram. Eventos que nela ocorreram. (A título de exemplo recordamos em 1955 uma gravação (canto) dos alunos do Prof. António Maria Saraiva, para uma programa da Emissora Nacional). Alguns destes elementos ainda existem na memória das gentes, mas carecem de ser despertados, conversados para se transmitirem. Muitos outros existirão porventura em escritos dispersos no espaço e no tempo. Mas sem a junção, a presença e a consulta que o livro sempre proporciona. E seria interessante porque estes edifícios constituem para muitos dos seus antigos alunos pequenos monumentos, quantas vezes dizendo-lhes mais do que alguns outros maiores que se visitam pelo país.   

Centenários.
O denominado «Plano dos Centenários» foi um programa de construção de Escolas Primárias, projectado, aprovado e executado pelo Estado Novo (l940-1960). «Centenários» porque em 1940 se celebrou o «3º centenário» da restauração da independência (1640-1940) e em 1943 se viveu o «8º centenário» da fundação na nacionalidade (1143-1943). Para saber mais insira «plano dos centenários» na janela «Google» e confira textos e imagens. 

Encerramento.
É do domínio público que todas as escolas primárias do nosso concelho foram sendo sucessivamente encerradas durante os últimos dez anos. E que os respectivos alunos foram transferidos para o Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto, a funcionar, condignamente, na imediação da vila.   
Foi, afinal, o que sucedeu por toda parte. Aldeias desertificadas. Diminuição da natalidade. Novo reordenamento da rede escolar. Resultado: quatro ou cinco mil escolas primárias encerradas por todo o país, (continente e regiões autónomas). 
E que destino se tem dado a estas escolas assim encerradas? Certamente os mais diversos, consoante as circunstâncias locais. Mas, as noticias publicadas fazem-nos saber que geralmente se têm mantido na área das humanidades. Convertidas em bibliotecas, museus, livrarias. Escolas de música, canto, cante e dança. Associações culturais, desportivas e recreativas. Actividades seniores. Gabinetes de estudo, exposições, conferências. E nos casos em que têm transitado para a habitação social, restauração, turismo, o protocolo vincula a manter a sua «traça», a conservar a sua «alma»: aqui existiu uma escola!
Existem hoje aldeias serranas em que, tendo fechado todo o comércio local, o edifício da antiga escola primária constitui o único lugar de conchego e convívio de inverno. E de verão o procurado ponto de encontro de diálogo e alegre convívio entre gerações. Sublime!
                                                                                                                  
                                                                                                                    Francisco H. Neves
Texto publicado inicialmente no jornal O RIBEIRA DE PERA in :
http://www.oribeiradepera.com/francisco-h-neves-cronica-da-fraga-as-escolas-primarias-do-nosso-concelho-monumentos-da-nossa-memoria/#.VdiJeP3luvE

domingo, 19 de julho de 2015


TEXTO ESCRITO EM 1954 POR FRANCISCO HENRIQUES TEIXEIRA


(Funcionário do Registo Civil e Notariado de Castanheira de Pera)

NOBRE A EXPRESSÃO – FUNDA A MOTIVAÇÃO

  

Personalidade.
Francisco Henriques Teixeira nasceu no dia 21/4/1916, na vila de Castanheira de Pera, filho de Abelino Henriques e de Maria Emília. E aqui faleceu no dia 3/7/1988, no estado de casado com D. Maria da Soledade Tomaz, filha de Jacob Tomaz, da Sapateira. Tinha 72 anos de idade. Depois de alguns anos de estágio no privado (Pomar), ingressou oficialmente, no quadro do Registo Civil e Notariado de Castanheira de Pera, no dia 11/7/1938. E aqui se manteve até à sua aposentação em 21/4/1986, por limite de idade, (70 anos). Para trás deixou 48 anos de efectiva e rara dedicação ao serviço. Foram 48 anos de exercício diário, permanente, sem nunca ter tirado, sem nunca ter gozado uma única semana de férias! Isto tem de ser dito em voz alta e consignado para história futura, porque tal feito constitui, porventura, caso único a nível nacional. Passado e documentado aqui em Castanheira de Pera!

Teve, sucessivamente, como chefes da repartição, (conservadores-notários): Dr. Marcolino da Silva, Dr. Álvaro Amorim Pinto, Dr. José Bebiano Correia Henriques da Silva, Dr. Henrique Vaz Lacerda, Dr. António Bebiano Correia Henriques Carreira, Dr. José António Risques da Silva, de todos granjeando consideração e estima. Classificado de «Bom com distinção», no âmbito do Ministério da Justiça.

Tinha a sua maneira peculiar de ser, que ainda hoje arranca um espontâneo sorriso nos amigos, quando dele se recordam… Mas para si não havia horário de trabalho, nem feriados, nem fins-de-semana, se necessário. Sempre prestável, mormente nas férias de verão, quando aqui ocorria gente vinda de toda a parte (Lisboa, Europa, África, Brasil), para tratar dos diversos actos notariais. É claro que este modelo de funcionário está hoje em desuso, além do mais, pelos inconvenientes que trás, para o próprio e para a sua família. Mas ele – certo ou errado - teve essa determinação, essa firmeza, essa vontade de demonstrar capacidade. Só que depois, além do mais, nem tempo de vida teve para gozar a sua pensão. Um caso para meditar.   

Nobreza.
No jornal «O Norte do Distrito», de F. Vinhos, na sua edição de 10/3/1954, vem publicado um artigo da sua autoria, intitulado «Castanheira de Pera – Vila prodigiosa», em que, além do mais, insere uma lista de ilustres personalidades nascidas em Castanheira de Pera, (caixa ao lado). Trata-se realmente de um elenco nobre, uma lista expressando a nobreza numa tripla dimensão. Desde logo nobre em sentido nobiliárquico, visto que abre com os nomes dos dois Viscondes, nascidos em Castanheira de Pera. Depois nobre em sentido académico, visto tratar-se de uma plêiade de diplomados pelas escolas superiores, oriundos desta terra geograficamente pequena, homens que vieram a exercer altas funções nas academias e nos quadros superiores do Estado. E nobre ainda no sentido do trabalho, visto que foram alguns destes diplomados, bem entendido, juntamente com outras personalidades e povo anónimo que, todos juntos, unidos, colaboraram, trabalharam, ergueram aqui em Castanheira de Pera uma indústria de lanifícios, referência económica em toda a região centro do País. E a propósito: existirá à face da terra, nobreza maior que o trabalho profícuo, seja desempenhado por gente anónima, diplomados ou pelos próprios nobres? Agora uma nota: esta lista de «O Norte do Distrito» foi, anos mais tarde, transcrita, actualizada e anotada em «O Castanheirense» de 13/12/1959 (Elementos para a História de Castanheira de Pera e seu termo). (Infra 1).  

Motivação.
Mas afinal o que terá levado Francisco Henriques Teixeira, a publicar este texto no jornal «O Norte do Distrito» em Março de 1954? Qual a sua razão de fundo? Será difícil encontrar-se alguém hoje (2015), mesmo dentre as pessoas mais idosas, que ainda se recorde do episódio. Mas, tanto quanto a nossa memória alcança, o que se terá passado foi sensivelmente isto: o nosso bom homem, na qualidade de funcionário notarial, dirigiu-se ao tribunal da comarca (edifício antigo), para tratar de acto oficial agendado. E terá sido aí que, um ilustre profissional do foro, se lhe terá referido à Castanheira, em termos que o bom Francisco, interiorizou como uma menorização da sua terra. Sentido lá no fundo da sua alma castanheirense, vem daí, elabora uma lista nobre e pede «…todo o respeito pela sua terra ».  E, para que a sua mensagem não fique pelo caminho, fá-la publicar exactamente na sede da Comarca!

Gratidão.
Francisco Henriques Teixeira foi assim, oficialmente, funcionário do Registo Civil e Notariado entre 1938 e 1986. A partir de 16/2/1959 fomos um dos rapazes que por ali se iniciou a aviar recados. Foi com ele que tomámos as primeiras noções de trato com público. E foi ali que folheámos pela primeira vez um código, como quem folheia um jornal. Obrigado mestre Francisco! E lá em «Cima», onde estiver, que esteja bem. Enquanto cá em baixo, todos podem visitar a sua foto e conhecer melhor a sua filosofia de vida, na desenvolvida entrevista que nos concedeu e está publicada no jornal «O Castanheirense», de Julho de 1983. (Infra 1).

 Francisco H. Neves


PS.  Texto publicado também no jornal O RIBEIRA DE PERA onde se encontram os links. para os jornais  «O Norte do Distrito» e «O Castanheirense» : 

    

quarta-feira, 24 de junho de 2015

 

 Crónica da Fraga

Por todo o concelho – As famílias dos «Henriques»

Patronímico.
Não vamos aqui fazer genealogia, que para tal não estamos habilitados. Mas uma simples constatação: existe uma grande implantação do sobrenome «Henriques» nas famílias do concelho de Castanheira de Pera. Há «Henriques» nos Coentrais, na Balsa e nas Sarzedas, na Gestosa Cimeira e na Fundeira, no Fontão e no Troviscal, muitos na vila e em outros lugares. E, todavia, não existe uma única família que seja conhecida pelos «Henriques». O «Henriques» é como que uma vogal doce junto de uma áspera a formar um ditongo. É possível que, desde a fundação da nacionalidade (séc. XII), haja Henriques aqui pela Ribeira de Pera. Mas, aparentemente, sem terem entrado no processo da questão dos baldios do Coentral (1467), nem no processo da criação da freguesia de São Domingos da Castanheira (1502). Certo é que em 1914, aquando da fundação do concelho, integraram a comissão instaladora oito personalidades de apelido «Henriques». Três efectivos: José Henriques Lopes, Celestino Henriques de Assunção, João Fernandes Henriques. E cinco suplentes: Carlos Henriques Carreira, Manuel Henriques Correia, António Henriques Lopes, José Henriques Miguel, Francisco Henriques. (Decreto in DG, II Série - Nº 151 de 1/7/1914). E desde então para cá - um século - tanta gente pública ou publicada de apelido «Henriques» se conhece: autarcas, camponeses, comerciantes, empresários, juristas, mesteirais, padres, professores, proprietários. Ainda recentemente Castanheira de Pera teve no Parlamento, em simultâneo, dois deputados de apelido «Henriques». É consabido que «Henriques» é o patronímico de «Henrique», adoptado por múltiplas famílias que, em termos de consanguinidade, nada têm a ver umas com as outras. Foi uma prática comum na Idade Média, quer na nobreza, quer no povo. Desde logo Afonso Henriques, por ser filho Henrique. O processo era simples é há outros patronímicos em português. (Infra site 1).

Gerações.
Cada geração computa-se, em média, nos 25 anos, donde em cada século cabem quatro gerações, quatro «Henriques», em linha recta: avô, filho, neto, bisneto, (masculino ou feminino). Assim, desde a fundação da nacionalidade até aos nossos dias, (oito séculos), cada «Henriques» de hoje é o «cabo» (caput) de uma fila de 32 ascendentes (8x4). Trinta e dois (32) «Henriques», cujo perfil terá variado ao longo das gerações. Todos poderão ter passado por fases de altos e baixos, grandes e pequenos, justos e injustiçados, legítimos e bastardos, nobres e plebeus, santos e pecadores. Cada «Henriques» de hoje será algo da sua ascendência desde os mais remotos arquiavôs. Cada um saberá da sua história. Mas se nada souber, obtendo uma certidão de nascimento ou baptismo de seu avô/avó «Henriques» algo ficará a saber do seu bisavô e trisavô. É pouco, mas para começar… Entretanto, há «Henriques» que vão ficando pelo caminho. Uns por falta de descendência, outros devido às afinidades que se vão constituindo, em que os apelidos da outra família também entram. Ainda assim, mesmo sem constar formalmente do assento, cada assim novo registado manter-se-á biologicamente um «Henriques» (consanguinidade).

Origem.
Mas afinal donde é oriunda esta plêiade de «Henriques» em toda a região de Castanheira de Pera? Também gostaríamos de saber… Mas não conhecemos estudo algum. Haverá, porventura, gente vinda de toda a parte. Mas afigura-se que o maior fluxo poderá ser oriundo de uma destas regiões ou das duas juntas: Primeira hipótese, um fluxo de «Henriques» (apelido) ou ainda «Henrique» (nome próprio), irradiando (fugindo) da região de Coimbra/Mondego, aquando das guerras da reconquista cristã (séc. XII), calcorreando estas serranias, nascentes do Alge, Pera e Mega, por aqui se refugiando e fixando. E quando hoje se diz haver por aqui muita gente de Mega, poderá tratar-se de gente que já antes por aqui transitara … Segunda hipótese, um fluxo de «Henriques» irradiando das terras da Beira Baixa para aqui se refugiar, aquando de datas e situações conhecidas: reis católicos expulsam judeus (1492); D. João II admite entrada; filha dos reis católicos casa com Manuel I de Portugal, na condição deste expulsar judeus; D. Manuel I por uma lei expulsa, mas por outra impede a sua partida, (por se tratar de cientistas, quadros superiores, banqueiros, artesãos, mercadores de têxteis, sedas e lanifícios); Cristãos-Novos (1497/1733); Criptojudaísmo; Inquisição (1536/1821). Sendo que o sobrenome «Henriques» foi um dos mais adoptados pelos cristãos-novos e dos mais citados nos documentos da Inquisição. (Infra site 2). Veja-se, a propósito, a saga dos «Henriques» do Sabugal (Infra site 3). Hoje está tudo mesclado. Mas é possível que tenha havido por aqui alguma miscigenação judaica. E que a própria indústria de lanifícios tenha aí a sua origem remota. Assunto para especialistas.

Testemunhos.
Mesmo ao visitante que nada conheça da terra, será fácil constatar a presença elevada dos «Henriques». Basta reparar nos epitáfios, nos quatro locais do concelho. Ainda agora, na edição de Maio, de «O Ribeira de Pera», dentre os nove decessos noticiados (necrologia), quatro são «Henriques». Outro indicador objectivo está nos baptizados, casamentos, falecimentos e vida do jornal, noticiados ao longo das 19 edições do jornal «O FACHO» - Boletim das Paróquias de Castanheira de Pera e Coentral, (1961/64), edições agora on-line na página electrónica. (Infra site 4).

Padre Adelino Henriques (1939-1988).
E, a terminar, uma referência à memória do Padre Adelino Henriques, nascido na Sapateira, no dia 9/5/1939, filho de Manuel Henriques e de Maria da Piedade Henriques. Foi ordenado na Sé Catedral de Coimbra no dia 28/6/1963 e no dia 15/8/1963 celebrou em Castanheira de Pera (Igreja Paroquial) a sua missa nova. Entre outros cargos foi director do jornal «A Voz do Papa». Faleceu em Coimbra no dia 12/9/1988, aos 49 anos de idade. Em sua memória convidamos os leitores a visitar a sua fotografia e a notícia desenvolvida da sua ordenação e missa nova, no jornal «O FACHO» de luz nºs 17/18, onde também se encontra a sua primeira saudação aos paroquianos da sua terra. Padre Adelino Henriques: «Um dos nossos ascendeu à dignidade do sacerdócio». (Infra site 4).

Francisco H. Neves


PS. Texto também publicado no jornal O RIBEIRA DE PERA de 16/6/2015, onde se encontram ativos os 4 sites citados :

quarta-feira, 27 de maio de 2015

 
Cronica da Fraga


 Jornal O FACHO (de luz)  


Histórico.

Abrindo o histórico da imprensa sediada nesta vila encontramos um título, geralmente desconhecido dos mais novos e que se vai apagando da memória dos mais velhos.
Trata-se de um jornal de inspiração e formação cristã.
Título - O FACHO. Símbolo – de luz.
Subtítulo - Boletim da Família Paroquial de Castanheira de Pera.
Propriedade da Igreja Paroquial, seu fundador e director o Padre Aurélio de Campos, ao tempo reitor de Castanheira de Pera.
Publicou-se mensalmente entre Abril de 1961 e Fevereiro de 1964.
Ao todo 19 edições correspondentes e 21 números de capa.
A partir de Agosto/Setembro de 1963 passou a «Boletim das Paróquias de Castanheira de Pera e Coentral» e em Janeiro/Fevereiro 1964 teve o Padre Manuel Freire Baptista dos Santos, Pároco do Coentral, como seu editor.
Os custos de manutenção ditaram a sua suspensão.
Era impresso na Gráfica de Coimbra.

A visão do cão com o facho aceso.

Este título «O FACHO» tem a sua génese na vida de São Domingos de Gusmão (1170 - 1221), fundador da OP - Ordem dos Pregadores (1215), canonizado em 1234, padroeiro da nossa vila.
Concretamente num sonho profético de sua mãe a Beata Joana d’Aza que: «Antes de conceber esta criança teve a visão de um cãozinho segurando na boca um facho aceso, com o qual parecia iluminar o universo inteiro».
«A imagem do cão que ladra às raposas devastadoras da vinha do Senhor é familiar na Idade Média. O símbolo de Domingos enriquece-se com este facho aceso; não é apenas um defensor da Igreja, mas um propagador do Amor e da verdade». (1)
«Com razão representam S. Domingos com um cão a seu lado, com um facho aceso na boca, tal qual sua mãe, a Beata Joana d'Aza, em sonhos, o vira sair do seu seio, porque iluminou o mundo com a sua doutrina e o abrasou com a sua caridade».
 
http://www.isdomingos.com/index.asp?art=21792
O conceito de «facho» significa aqui tocha acesa, chama, verdade, luz que ilumina o mundo. Não sendo legítimo introduzir-lhe sentido diferente da sua essência.
Já no século XIX existiram, pelo menos, três publicações com este título - 1864, 1881, 1885 - como regista a «Colecção de Jornais e Revistas Portuguesas».
https://books.google.pt/books?id=hbqZ5WfTMAgC&pg=PA317&lpg=PA317&dq=jornais+O+FACHO&source=bl&ots=xPRXz7hXta&sig=O2hw_F5Y2L6Sqb2OIyYU0GOCf-c&hl=pt-PT&sa=X&ei=881BVdOvOYi07gap5YFw&ved=0CCcQ6AEwAQ#v=onepage&q=jornais%20O%20FACHO&f=false



Colecção na página electrónica. 

Do jornal «O FACHO» - Boletim das Paróquias de Castanheira de Pera e Coentral, existe uma colecção completa, brochura, em Lisboa, na BNP - Biblioteca Nacional (Cidade Universitária), onde tem sido requisitada e onde continua disponível à consulta dos seus leitores, (cota J.2265V.)
Porém, a partir de agora, também a podemos folhear, número a número, aqui na página electrónica de «O Ribeira de Pera», conforme aí se indica a final deste artigo.
Dentre o conteúdo próprio de formação e informação cristã, das festas, baptizados, casamentos, falecimentos, visita pascal, noticiário diverso, encontrar-se-á sempre alguma coisa tocante das nossas vidas. E já lá vão mais de cinquenta anos
!  


Legado.

Do Seminário Maior de Coimbra, de que durante treze anos fora o Reitor (1998 a 2010), o Padre Cónego Aurélio de Campos publicou recentemente um livro, da sua autoria, «SEMINÁRIO DE COIMBRA – subsídios para a sua história» (436 páginas, formato 23x26), cuja sobrecapa contém uma legenda com a síntese da sua vasta acção pastoral a nível nacional e diocesano. (Depósito legal nº 381766/14).
Aqui em Castanheira de Pera o Padre Aurélio de Campos foi Pároco da nossa Paróquia durante 17 anos, entre 1 de Novembro de 1960 e 21 de Janeiro de 1978, período durante o qual desenvolveu intensa actividade pastoral, numa altura em que o concelho tinha mais de cinco mil habitantes (5.739 no censo de 1960).
A par da sua prática pastoral foi professor e impulsionador dessa obra enorme que foi o Externato São Domingos, ao tempo um verdadeiro facho de luz a iluminar a juventude de Castanheira de Pera.
E na imprensa escrita fica esta colecção de 19 edições do «Boletim Paroquial das Paróquias de Castanheira de Pera e Coentral», um marco, um pequeno monumento na história da imprensa cristã da Diocese de Coimbra. Em Castanheira de Pera é grande o seu legado.
Obrigado Monsenhor!



                                                              Francisco H. Neves 


(1)   «S. Domingos e a Ordem dos Pregadores» – Fátima. «Legenda de São Domingos» - Coimbra 


PS.

Texto publicado também no jornal «O Ribeira de Pera» do dia 16 de Maio 2015, onde se encontram os links para a página electrónica: